close button

publicidade

Paciente 63 (2ª Temporada)

Uma coisa que sempre digo e repito em diversos artigos aqui, é que o audiovisual tem o poder de ser uma janela para abordar temos atuais, seja em narrativas diretas ou analogias que fazem, além de entreter, educar e conscientizar. Mas mais do que entreter, o audiovisual consegue ser uma ferramenta para a imaginação, e Paciente 63, audiossérie original Spotify conquistou em sua primeira temporada a atenção por falar de algo tão próximo a todos nos, e que está modificando nossa rotina há dois anos, além de fazer com que nós, ouvintes criamos uma imagem da história, e que em sua segunda temporada expande ainda mais sua mitologia que deixaria qualquer fã de ficção científica feliz.

Na segunda temporada, Elisa (voz de Mel Lisboa) volta dez ano no passado para conseguir consertar a paciente zero de desenvolver o Pegasus, variante do coronavírus que causará o colapso completo da humanidade. Mesmo com os riscos de voltar no tempo e se perder em seus pensamentos, Eliza acaba se colocando no caminho do psiquiatra (voz de Seu Jorge), que acaba sendo uma chave para conseguir cumprir sua missão em 2012, e impedir Maria Cristina (voz de Lavinia Lorenzon) de ser a paciente zero.

Já falo que a experiência de não ter uma âncora visual é estranha. Estamos acostumados – mal-acostumados – a depender do sentido da visão, mas acabamos esquecendo que antes da televisão, um meio de comunicação de fornecia entretenimento é o rádio, da onde surgiu as famosas radionovelas. E esse resgate que Paciente 63 tem abre as portas para a imaginação visual ser única para cada ouvinte, e isso já vale o seu play.

O que a segunda temporada tem a mais que vale ainda mais é o aprofundamento do mistério. Seguindo o mesmo formato de audio-episódios curtos, de até 20 minutos, a série parece ser maior do que o timer mostra, devido principalmente as informações sendo adicionadas pouco a pouco, criando algo que os fãs de ficção científica já estão carecas de saber sobre viagem no tempo: o famoso paradoxo.

A segunda temporada acaba recaindo em inúmeros paradoxos, mesmo que certeiro em deixar explicados como eles escapam deles, mas é muito interessante ouvir como são os mecanismo para fugir dos paradoxos criados. Tudo isso embasado em atuações que se mostram mais confortáveis com seus personagens e também com a dinâmica.

Devo salientar que na nova temporada contamos com novos personagens, interpretados pelo mesmo ator, e como essa nova temporada trabalho as nuances para diferir, mesmo que o mínimo da entonação e interpretação para não se parecer com o mesmo ator atuando da mesma forma. Mas o destaque com certeza fica com Mel Lisboa, que além de interpretar sua versão adulta, madura, aparece com uma versão mais jovem, e que nem parece ser feito pela mesmo atriz, ou pelo menos, no mesmo momento, já que é surpreendente o abismo temporal da voz madura para uma voz cheia de incertezas. E para completar a cereja do bolo, ouvimos uma versão mais velha, que ganha tons de cançaso, e que deixa em aberto para o que poderemos ver no futuro.

Essa nova temporada teve um foco mais emotivo, aprofundando o laço que Eliza e Pedro sempre tiveram, independente de qual versão sua aparece. Você se sente compelido a acreditar que eles se atraem, e que estão destinados a estar envolvidos para salvar o mundo. Além deste laço emocional, a própria Eliza mostra que luta entre o que é certo e o que ela sente.

Paciente 63 é a prova que qualquer gênero, até o mais complexo em termos de dependência visuais, consegue transmitir a complexidade com uma limitação sensorial. Tudo bem que para aqueles que não se aventuraram no mundo das audiosséries pode ser difícil a primeiro momento, mas pode ser uma porta de entrada mais que bem-vinda conhecer essas dinâmica, e que em sua segunda temporada consegue manter o nível que a primeira deixou, e elevar a qualidade do desenvolvimento, do mistério e provocar experiências únicas a cada novo ouvinte.

Postagens Relacionadas