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Uncharted

Uncharted: Fora do Mapa

Se existe um grupo que pode estar chateado com o cinema, ou a produção audiovisual, os gamers com certeza são esse grupo. Por anos as produções baseados nos games mais populares – ou não – acabam sofrendo nas mãos das produtoras que parecem não entender ou compreender a essência da história do jogo e produzem aquilo que acreditam que seja o jogo. Mas desde Detetive Pikachu, o público pode respirar um pouco aliviado, e este ano já começamos com o pé direito com Uncharted: Fora do Mapa.

Um Original da PlayStation, divisão de jogos da Sony, Uncharted é um dos grandes games que faz parte da coleção de qualquer sonysta, e ganha pela primeira vez uma adaptação, nas mãos do mesmo diretor de Venom (2018), que surpreendeu alcançando mais de 800 milhões em bilheteria. Na história, vemos uma original alternativa da vida de caçador de Nathan Drake (Tom Holland), quando o mesmo conhece Victor “Sully” Sullivan (Mark Walhberg), atrás de um tesouro milenar.

Devo admitir que não joguei nenhum jogo da franquia Uncharted ao qual Nathan protagoniza. Já comecei – mas nunca terminei – o quinto jogo da franquia, protagonizado por Chloe, mas já acompanhei diversas vezes alguém jogando Uncharted, principalmente o segundo jogo franquia. E fico feliz – e extremamente entusiasmado – em ver o jogo sendo adaptado na telona.

É difícil afirmar justamente isso: você reconhece que o jogo está ali, principalmente sua essência. Logo na cena de abertura, que não é um spoiler, você já embarca na mais pura adrenalina, justamente na cena do avião – que está presente em todos os trailers, teasers, spots e até pôsteres. Isso é o cerne de Uncharted, e se mantém em todo o filme, e escalonando pouco a pouco, quanto mais aprofundamos na história e no desenvolvimento.

Além disso tudo, tenho que confessar que torci o nariz quando anunciaram que Tom Holland viveria a versão jovem de Nathan – mesmo querendo uma versão mais adulta como de Nolan North, ator que deu vida a Nathan nos jogos sendo sua voz e rosto; ou até mesmo Nathan Fillion, que fez um fan-film em 2018. Tom Holland é um dos atores em alta, principalmente pelo seu papel no Universo Cinematográfico da Marvel como o Homem-Aranha, e saber que a escolha foi devido sua popularidade pode ter feito criar uma aversão a vê-lo como Nathan.

Mas ainda bem que paguei a minha língua. O Nathan de Tom Holland é um Nathan que está se construindo pouco a pouco no filme, e isso é perceptível na caracterização do ator. Pouco a pouco o famoso uniforme de Nathan vai aparecendo no corpo de Tom – que diga-se de passagem, vem frequentando regularmente a academia – e finalmente presenciamos o Nathan completo quando finalmente ele veste o famoso coldre, já no terceiro ato.

É quase que presenciássemos o nascimento do personagem para o que se conhece nos jogos de Uncharted, mesmo que alguns detalhes sofram retcon, principalmente para funcional na narrativa cinematográfica. Outro que acabou criando dúvida foi Mark Wahlberg, que é o personagem mais distante que temos do jogo, mas funciona para apresentar um Sully menos maduro, e que é uma figura paterna de Nate, com uma personalidade mais infame.

Mas sem sombra de dúvidas quem rouba os olhares é a Chloe, vivida pela atriz Sophia Ali, que desde já mostra a traiçoeira Chloe que conhecemos e amamos, e sua química tanto com Tom quanto com Mark são ímpares. Além dela, Tati Grabrielle, que vive a antagonista Braddock também rouba a atenção, principalmente no terceiro ato.

Mas o que seria de Uncharted sem os famosos tropos gamers? O diretor soube como adaptar vários deste tropos, aliando eles a uma coreografia que só melhora o filme visualmente, além de contar com a flexibilidade e aptidão acrobática de Tom Holland, que mesmo sabendo que ele conta com dublês, ele sabe como saltar como ninguém, e aqui, eles usam e abusam das habilidades de parkour do astro para cenas muito bem filmadas.

E por falar na ação, fica evidente o quão preciso a produção de Shepherd Frankel teve em construir cenários que remetem ao jogo, deixando eles dispostos para àqueles que tem o olhar clínico de gamer perceber onde o personagem deve se esconder, quais objetos eles vão utilizar numa cena de luta, e mesmo sendo bem previsível, ainda assim é um espetáculo ver na telona, e quanto maior, mais imersivo ao mundo do jogo você se sente.

Uncharted: Fora do Mapa é mais uma produção que mostra que, quando os estúdios conhecem o material original, tem uma produção que é fã e que conhece o material bruto, eles vão entregar o melhor trabalho, não deixando a essência do jogo de fora, e não fazendo apenas pelas verdinhas que vão receber quando o filme for lançado, mas sim se divertir com o processo, além de levar o um fragmento do real mundo desta mídia para novos pessoas que nunca ousaram se aventurar em locais nunca antes mapeados.

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