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bridgerton 2 temporada - crítica

Crítica | Bridgerton 2ª Temporada

Passei dias pensando em como faria essa crítica. Apenar de já ter feito vídeos sobre a série, e conversado com amigas que também são muito entendidas do universo criado pela Julia Quinn, confesso que foi bem complicado conseguir colocar em palavras os sentimentos que essa segunda temporada de Bridgerton trouxe em mim.

Minhas expectativas para essa série eram bem altas. Sinceramente, O Visconde que me Amava é um dos meus livros favoritos de toda a série, e eu sou completamente apaixonada pela história que a JQ criou nos livros. A forma como Anthony e Kate sempre caminham um para o outro mesmo quando querem seguir em rotas diferentes, e também como é explorado os medos e traumas deles e mais que isso, seu amor incondicional pelas suas famílias. Então eu realmente queria saber como os produtores da série iriam explorar esses caminhos que são lindos nos livros.

Confira nossa resenha de O Visconde que Me Amava

As expectativas para a segunda temporada de Bridgerton

Deus sabe como eu enchi o saco da assessoria da Netflix para conseguir o screener da série. Não apenas para poder produzir os conteúdos, mas também pelo lado fã que estava ansiosíssima para ver esse segundo ano dos Bridgertons. E em primeira instância, sai completamente decepcionada com o que me foi entregue.

Minhas expectativas para Bridgerton 2 era sobre a cena da tempestade e como a Kate se esconde debaixo da escrivaninha, ou como Anthony salva Penélope das más intensões de Cressida Cowper, ou ainda Anthony presenteando Kate com flores porque ela nunca recebeu um buque, mas sempre pegava para si de Edwina porque a irmã era alérgica a elas.

Mas o que eu vi foi uma corte completa entre Anthony e Edwina, briga entre irmãs, um Anthony completamente esgotado com o fardo de ser o líder da família, Kate completamente apagada pela jornada da irmã, Penélope e Eloise brigando e nada do que realmente é o livro, presente.

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Não nego que a química entre Jonathan Bailey e Simone Ashley é fervilhante de presente nessa temporada. Os dois em tela roubam completamente o ar de qualquer expectador. Simone principalmente, que sem nenhuma palavra consegue expressar completamente tudo apenas com um levantar de queixo e um olhar fatal.

Mas a todo o cerne da questão é como o foco deveria ter sido Anthony e Kate e sobre o caminho deles um para o outro. Sobre os dois! E não sobre como Kate é uma talarica – jogada como egoísta ainda por cima – em querer o noivo de sua irmã! O Visconde Que Me Amava nunca foi sobre isso!

A alma de um leitor morreu com essa segunda temporada.

Bridgerton 2 como uma obra separada

Como expectadora, como fã, como jornalista, sempre defendo que adaptações precisam sim de alterações para se encaixar em uma nova mídia. Como série, Bridgerton abre muitos espaços para novas narrativas, e isso de forma alguma é ruim. Mas se perder na história e esquecer o foco, transformando o show em algo completamente diferente daquilo que a base é sustentada é o maior problema de muitas adaptações.

Eu sinceramente tenho vários problemas com Shondaland – principalmente com os dramalhões que ela gosta de inserir em seus trabalhos. Abertamente digo que detesto Gray’s Anatomy, apreciei apenas a primeira temporada de How to Get Away With a Murderer e sequer suportei finalizar a primeira temporada de Scandal. A mania encômoda que Shonda tem de exagerar no drama em suas séries é algo que me preocupou muito quando foi anunciado a sua produção em Bridgerton.

Porém quando nos foi entregue a primeira temporada com a história de O Duque e Eu, fiquei aliviada, afinal eles realmente conseguiram entregar um trabalho ainda melhor do que nós esperavámos. Mas então veio esse segundo ano, e eu voltei a me lembrar do porque não gosto das séries dela.

O desandar da história de Anthony e Kate é tanta, que já estou agoniada em pensar no que vai rolar nas próximas duas temporadas confirmadas.

O amadurecimento da narrativa e o desenvolvimento dos demais personagens

Mas apesar de toda a decepção, dias e dias depois do lançamento da série, pensando, mastigando e revendo a temporada mais uma vez, realmente vi o trabalho bonito que entregaram não como adaptação – porque aqui realmente não tem salvação, mas como uma obra separada. Como uma obra completa e total separada dos livros – podemos então apreciar como essa segunda temporada amadureceu e muito.

Aqui a gente realmente tem a jornada de duas almas que se encontraram uma a outra, mas que resiste a se entregar. A briga entre o dever, honra e o querer é realmente formado na tensão, nos olhares, nos poucos toques e ou na falta deles. Jonathan e Simone entregam tudo criando essa tensão e expectativa entre seus personagens.

Mas não apenas os dois personagens principais, temos também o desenvolvimento de Penélope como Lady Whistledown e sua parceria com Madame Delacroix que para mim foi uma das melhores coisas dessa temporada. O Benedite e sua paixão pela arte, e até mesmo a jornada de Eloise – que tenho minhas resalvas, principalmente pelo fato de ela parecer mais uma garota chata e mimada do que própriamente como uma feminista à frente de seu tempo.

Como falei acima, a série abre espaço para trazer novas narrativas para personagens que não foram explorado nos livros, como os Featherington’s que nessa temporada tem um arco poderosíssimo. Portia e Jack também conseguiram marcar presença total em todos os momentos em que apareciam.

Rainha Charlote, Lady Danbury e Violet ainda são o trio de matriarcas mais divertidos da série. Suas interações são de longe um dos alívios dessa temporada considerando o todo. Aguardo ansiosamente para a estreia do spin-off que trará mais das três no universo de Bridgerton.

E não apenas o amadurecimento dos personagens, mas também na narrativa em si, menos sexualizada e mais sobre sentimentos. Além é claro de mostrar muito mais da família Bridgerton. A série sempre foi sobre isso: família e amor. Foi bem legal poder ver como isso se tornou o cerne de tudo nesse novo ano.

Essa segunda temporada, apesar de todas suas problemáticas, todos os erros e problemas que trouxe ainda sim, tem seu charme, e já está sendo mais uma vez um grande sucesso. Teve seu primeiro final de semana como uma das séries mais vistas da língua inglesa em estreia, ainda está no top 10 de 92 países, e com mais duas temporadas confirmadas e o spin-off que estreia ainda esse ano, a Netflix tem muito ainda para explorar, e espero que para melhor nos próximos anos.

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