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Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore

Preciso começar esse artigo mencionando o quão difícil se tornou noticiar ou criar materiais de divulgação, sejam artigos ou listas, vindo do Mundo Mágico. Se torna ainda mais difícil quando você é fã da franquia e do material base – como eu – e ter que pesar as ações da criadora dos últimos dois anos, mas ainda amar a história. Mas preciso separar, mesmo que difícil, esses dois aspectos. Este ano com toda a certeza é um ano para regressarmos para Hogwarts, ou pelo menos para o mundo mágico criado pela autora de Harry Potter. Começamos o ano com o especial de 20 anos do bruxinho, e ainda teremos um jogo de mundo aberto, mas o ápice para o Mundo Mágico é este mês de abril, com a estreia de Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore. O terceiro filme da franquia demorou quatro anos para sair, devido a grandes mudanças e principalmente os problemas de bastidores que sofreu, e acaba que esse filme tenta corrigir alguns problemas narrativos do segundo provocou, além de reiniciar espiritualmente a história.

O mundo mágico está às vésperas da troca do líder máximo de sua comunidade mundial: a presidência da Confederação Internacional de Magia está próxima, e Grindelwald está se movimentando para conseguir ser eleito para comandar a comunidade bruxa. Mas Dumbledore (Jude Law) convoca Newt (Eddie Redmayne) para proteger uma criatura essencial para a cerimônia, enquanto convoca um grupo de bruxos e o não-maj Jacob Kowalski (Dan Fogler) para a tarefa.

Vamos ser sinceros: Animais Fantásticos foi lançado como um revival para os fãs, que já estavam desde 2011 sem um filme do mundo mágico, e seu lançamento, em 2016, foi um comeback para os Potterhead ue estavam órfãosda franquia. Sua sequência, Os Crimes de Grindelwald foi um tiro no pé: a autora de Harry Potter é a roteirista, e até este ponto, a única que mexia com a história, e sua estrutura muito parecida com um rascunho de um livro inacabado tinha problemas quando traduzido para a mídia audiovisual. O arco da Leta Lestrange (Zoë Kravitz) foi um enorme McGuffin, apenas para distrair; e os crimes de Grindelwald? Apenas sua retórica e sua manipulação para outros cometerem os crimes.

O segundo filme foi mal visto pelos fãs e pelos críticos, e parece que isso forçou a Warner a trazer de volta Steve Kloves, principal roteirista da franquia de Harry Potter, e isso foi essencial para transformar a visão da autora e roteirista de Animais Fantásticos numa mídia audiovisual que funcione. O longa se desenvolve como um procedural, com missões aqui e acolá, onde os personagens precisam se mover para conseguir impedir o antagonista de conseguir sucesso em seus planos, e mesmo que tenha essa vibe de série, como filme ela é bem construída e amarrada.

Corrigindo a Narrativa de Segredos de Dumbledore

Animais Fantásticos

Além disso, o longa parece que corrigi muito, mas muito erros e incongruências do segundo, mesmo que haja quem defenda a ousadia do roteiro do segundo filme. Este filme segue uma aventura linear, mas reseta – ou melhor, corrige direcionamentos que não agradaram no segundo filme. A ancestralidade de Credence (Ezra Miller) e sua relação com a família Dumbledore, o próprio fato dele ser um dos mais poderosos obscuriais já existentes; a decisão de Queenie (Alison Sudol) em se unir a Grindelwald – mesmo que pessoalmente tenha gostado dessa decisão. Aqui as coisas não foram jogadas como nos Crimes, foram desenvolvidas a seu tempo, introduzidas pouco a pouco, e isso é o que torna a história mais coesa e interessante do que tirar do nada uma história que não foi preparada previamente.

Diferente dos Crimes de Grindelwald, que não vemos nenhum crime em si, os Segredos de Dumbledore são sim presentes, da cena de abertura, até sua conclusão. E aqui abro espaço para façar do real protagonista do filme, Dumbledore de Jude Law: é inegável que é um personagem complicado para Jude, mas se já gostamos da excentricidade dele no segundo filme, aqui ele brilha como nunca, e aquele detalhe que parece que foi apenas para agradar os fãs, foi realmente mencionado sem qualquer alarde ou receio: Dumbledore revela em alto e bom som que fora apaixonado por Grindelwald, que o que ele sentia era mais do que amizade, mais de uma vez, e para mais de uma pessoa.

Até mesmo o fatídico acidente envolvendo a irmã de Dumbledore, Ariana, ganha espaço, e criamos expectativas para conhecermos mais detalhes não revelados anteriormente, mas a história se repete, como conhecemos desde Relíquias da Morte, mas com um grau mais profundo por ser Dumbledore que conta a história. Outro ponto foi a troca de atores do antagonista: sai Johnny Depp e entra Mads Mikkelsen. Enquanto que o primeiro marcou com um exagero sutil nas suas falas, Mads ficou com o trabalho difícil de manter a mesma energia, mas entregar seu próprio Grindelwald, que tende para o político, carismático e manipulativo, fazendo uma alusão aos atuais politicos carismáticos que vemos em qualquer nação.

Embora o filme se chame Animais Fantásticos, poucos animais estão presente: o pelúcio responsável pelas maiores confusões e amores pela saga, ganha um nome oficial, mas continua sendo carismático em sua busca por coisas brilhantes; o tronquilho ganha mais destaque; mas a história se foca num animal pouco conhecido, mas que está diretamente envolvido com a escolha do próximo líder, e que dá base para o título se perdurar, mesmo que não fique claro, em todas as palavras, que é um costume dos bruxos utilizá-lo como ferramenta na escolha.

Elenco e seu desenvolvimento

Segredos de Dumbledore

Fora isso, alguns personagens ficaram a ver navios em suas histórias: Teseu (Callum Turner) completamente descartável, serviu mais como a donzela em perigo que precisa ser resgatada; Yusuf Kama (William Nadylam), que teve seu arco confuso introduzido em Os Crimes de Grindelwald, não chove nem molha na narrativa, se perde o início, e só aparece no final sem grande impacto. Mas novos personagens acabam ganhando destaque, como a professora Eulalie Hicks (Jessica Williams), e Bunty (Victoria Yeates), assiste de Newt que mesmo aparecendo menos que todos, ganha sua atenção.

Não tem como mencionar as novas adições sem mencionar nossa representante, Maria Fernanda Cândido, que interpreta a candidata Vicência Santos. Sua presença é sentida mostrando toda a elegância de sua posição politica, mas ela se resume a duas falas, sem grandes impactos, servindo mais como um agrado a um dos fandomes mais importantes da franquia, o brasileiro, mas podemos esperar por outras participações no futuro – se houver um.

Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore parece um grande retcon para a franquia que se perdeu em seu segundo filme, corrige incongruências e nãoperde tempo em prolongar histórias complexas, mas simplifica elas, elimina os possíveis problemas de bastidores, além de assegurar o caminho para a tão aguardada Primeira Guerra Bruxa, que se estendeu desnecessáriamente por caminhos tortuosos no segundo filme, e que pode ser já direcionada para o fim.

Segredos de Dumbledore

ANIMAIS FANTÁSTICOS E OS SEGREDOS DE DUMBLEDORE

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Dumbledore reune Newt e um grupo de bruxos e não-maj para impedir Grindelwald de interferir na escolha do próximo líder na Confederação Internacional dos Bruxos.
Dumbledore reune Newt e um grupo de bruxos e não-maj para impedir Grindelwald de interferir na escolha do próximo líder na Confederação Internacional dos Bruxos.
4/5
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