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Downton Abbey

Downton Abbey 2: Uma Nova Era

O entretenimento televisivo é praticamente dominado pelos EUA. Desde os anos 1950, quando sitcoms surgiram e redefiniram o entretenimento, o mundo consumiu essa cultura por muito tempo. E graças ao avanço da tecnologia podemos hoje desfrutar de outras culturas televisivas, e até cinematográficas. Downton Abbey foi uma série que se tornou popular tanto dentro como fora da Inglaterra, e possibilitou que muitos desejassem mais de como os britânicos constroem suas histórias televisivas. E depois de seu cancelamento, e um filme para concluir sua história, lançado em 2019, os moradores de Downton retornam para um possível desfecho definitivo em Downton Abbey 2: Uma Nova Era.

É um tanto complicado redigir uma sinopse de Downton em poucas linhas, uma vez que sua narrativa, pendendo mais para uma novela, lida com inúmeros arcos e subtramas que se entrelaçam e se desenvolvem simultaneamente; mas de um modo mais generalista, o segundo filme se encaminha para os anos 1930, com uma surpresa para os Crawley: a matriarca, Violet Crawley (Maggie Smith) recebe de herança uma Villa na Riviera Francesa, de um desconhecido. Parte da família, então viaja para conhecer o local e resolver o dilema com a viúva e o filho do falecido, quando segredos sobre o envolvido de Violet e esse homem podem mudar como a família se vê; enquanto isso, em Downton, Mary (Michelle Dockery) administra a casa enquanto uma equipe de cinema vem gravar um filme na propriedade, mexendo com o conservadorismo de alguns moradores, mas abrilhantando a admiração dos mais jovens empregados do casarão.

Downton Abbey

Se tem uma coisa que Downton não se desvincula é sua narrativa mais novelistica, uma característica que faz de Downton, Downton Abbey. A quantidade de personagens é um elemento que existe desde sua estreia, e as histórias que se desenvolvem, uma intricada com outras, se mantém, e ainda conta com mais personagens, já que a cada nova história, novos personagens são inseridos. Isso pode parecer exagero, e até confuso para quem não assistiu a série, e tem apenas o primeiro filme como referência, mas por mais que agora a história esteja no cinema, se manter fiel a sua essência é o que torna Downton uma preciosidade, e mostra que o cinema não precisa ficar preso a sua fórmula básica, e pode trazer elementos de outras mídias para compor essa arte.

Não há o que mencionar sobre figurino e design de produção: Downton Abbey é conhecido pela sua beleza visual dos figurinos que ressaltam a época que estão acontecendo os fatos, e os cenários são deslumbrantes e de tirar o fôlego, e eles repetem isso aqui, mostrando uma era de transição entre os anos 1920 para os anos 1930.

Donwton Abbey 2 é necessário?

Mas temos que conversar sobre um ponto que pode parecer polêmico – principalmente vindo de um fã da franquia: esse segundo filme foi realmente necessário? O primeiro filme serviu para várias coisas, em diversos níveis. Era um comeback para os fãs que já estavam há algum tempo sem ver os personagens; foi uma forma de finalizar alguns arcos deixados em aberto ou que não necessariamente tinham uma ponto final; muitas coisas tinham sido estabelecidas neste filme: Mary seria a nova Lady Grantham, capaz de amedrontar os funcionários e administrar Downton para a era moderna, assumindo o lugar de sua avó.

Edith reafirmação sua felicidade mais ainda sendo uma Marquesa e uma jornalista, além de realizar, mais uma vez como mãe; os empregados de Downton estavam confortáveis com as mudanças que estavam acontecendo além de terem suas histórias direcionadas para um Felizes para Sempre (na medida do possível); até mesma a inevitabilidade do futuro da personificação que define Downton, a presença de Violet, já estava definida: ela estava bem, mas não viveria por muito tempo. Até mesmo Branson (Allen Leech) estava direcionado para o seu final.

A Dama de Downton: Maggie Smith

O segundo filme em si é mais um agrado. As histórias já estão resolvidas, por mais que não seja um paraíso. Algumas histórias até passam a ideia de dispensável pois acaba não agregando quase em nada no desenvolvimento, e alguns personagens tem seus arcos regredidos para justificar a trama do segundo, como é o caso do Barrow (Rob James-Collier). Alguns arcos são resgatados da própria série, e referências se tornam volume para essa que pode ser encurtado como um filme de férias dos Crawley.

Mas uma coisa é certa, esse filme – como tudo em Downton – é contrato em Violet. Se já não estava na cara que Downton só existe por causa de Violet e sua interpretação por Maggie Smith, fica difícil ver um futuro para essa família, agora que este filme coloca um ponto final na trajetória de Violet. É notável o cuidado que tiveram nas cenas com Maggie Smith, sempre estando em locais fechados, sempre sentada ou deitada, com poucos movimentos no cenário, mas nada que a dama do teatro britânico não consiga flutuar entre diálogos emocionais sobre despedidas e memórias, com os sarcasmos e aspereza conhecido da personagem.

Em resumo, Downton Abbey 2: Uma Nova Era é um afago para os fãs, mesmo que não necessário, e quase como uma grande pedra mostrando que em algum momento, essa história não tem mais uma sequência. Mas a história do segundo filme, mesmo com um exagero de sub-arcos e tramas, entrega a essência de Downton, principalmente para àqueles que acompanharam os Crawley desde 2010, e deixa na promessa uma década complicada que pode não vir a ser abordado, mas está tudo bem, pois sempre poderemos voltar para o deslumbrante Downton dos anos 1910 e 1920, com os braços abertos.

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